Eu não sei andar no asfalto. Na verdade, acho que nem ao nascer, eu estava em terra. Parece que estou sempre voando e observando. Nunca estou no meu próprio corpo, eu entro em corpos diferentes tentando entender o que se passa. Eu me coloco em você para entender como é ver pelos seus olhos. Eu estendo a mão quando você precisa porque nossas necessidades sofrem distintas importâncias. Às vezes, acho que poderia ser melhor se eu pisasse no chão e fosse mais concreta, mais eu, somente eu. Mas nessas horas eu percebo que ir além é o que me faz sentir a leveza do dia-a-dia mesmo em toda essa confusão. Eu não espero que você entenda como eu me sinto. Você teria que entrar na minha mente e ser como eu. Dom que poucos tem e acredito. Dom que uso para abraçar o mundo e compreende-lo. Eu sinto sua dor e alegria, mas nunca saberei ao certo a intensidade que elas têm em você. Mas posso te abraçar e pedir que compartilhe, pois, nenhum sentimento será bem aproveitado se estiver sozinho. Eu me sinto eu hoje, amanhã você, outro dia até aqueles que estavam sentados nas calçadas e que não disseram nada, só trocaram olhares. Eu me sinto nós, o mundo. Eu sinto demais. Eu absorvo demais. A minha intensidade vai além do limite do meu corpo, está sempre acerca de todos. E talvez, por tanta flexibilidade, eu me fecho e observo aqui dentro também. Eu guardo. Eu guardo por algum tempo. Quero sempre entrar, mas quase nunca sair. Sair é perigoso, é vulnerável. E eu preciso ser forte para saber sentir.
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