quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Orgulho

Eu não quero ser otário. Essa coisa de falar, perguntar se vai rolar é brabo. Sabe? Imagina só: se eu pergunto se ela vai e ela não vai. Fico como? Que ela venha até aqui. Me cansei de ir. Ir. E ir. Que papo de gente idiota. Imagina só se eu chamo ela praquele rolê e ela diz que vai ver TV. Você acha que acredito nessa, mano? A mina é maneira, bonita e leve. Mas se eu for até ela, eu vou ficar de greve, ela vai rir da minha cara e dizer que não tá na minha. Que é coisa da minha cabeça. Cresça! Então, eu não vou ser otário não, sabe coé? Um dia ela vai querer e eu vou saber. É. Eu vou. Um dia ela vai dar o sinal que posso ir um pouco mais. Mas agora, mano, eu não vou não. Me disseram que dar um gelo é o que conquista a paz. Não falar é o que resolve. Quem sabe encontro ela na esquina. Se provoco, ela foge? Não. Não vou ser igual aos outros. Tô de boas aqui na minha, imaginando eu e ela olhando pro mar. Eu sei que se ficar aqui, ela vai me encontrar.

Eu não entendo porque ele é assim. Vai, fica, vai, volta, não volta, não sabe o que quer. Já falei pra minhas amigas que tô cansada desses caras que ficam nessa dúvida ao invés de ver qual é. Eu já demonstrei que eu quero, que tô aí pro chamego, pro abraço, pro sossego e ele se diz mané. E talvez seja uma mané. Eu aqui toda disposta a aceitar uma proposta e ele sem saber o que quer. Me cansei de esperar, esse cara é um idiota, quando chega, logo dá volta e não se mantém em pé. Me diz logo o que c quer. Se vai ficar ou ir embora porque bobo tu não é. Se ele não vem porque não vou e eu não vou porque ele não vem, nunca vamos dar um rolé.

sábado, 5 de novembro de 2016

Sentir

Eu não sei andar no asfalto. Na verdade, acho que nem ao nascer, eu estava em terra. Parece que estou sempre voando e observando. Nunca estou no meu próprio corpo, eu entro em corpos diferentes tentando entender o que se passa. Eu me coloco em você para entender como é ver pelos seus olhos. Eu estendo a mão quando você precisa porque nossas necessidades sofrem distintas importâncias. Às vezes, acho que poderia ser melhor se eu pisasse no chão e fosse mais concreta, mais eu, somente eu. Mas nessas horas eu percebo que ir além é o que me faz sentir a leveza do dia-a-dia mesmo em toda essa confusão. Eu não espero que você entenda como eu me sinto. Você teria que entrar na minha mente e ser como eu. Dom que poucos tem e acredito. Dom que uso para abraçar o mundo e compreende-lo. Eu sinto sua dor e alegria, mas nunca saberei ao certo a intensidade que elas têm em você. Mas posso te abraçar e pedir que compartilhe, pois, nenhum sentimento será bem aproveitado se estiver sozinho. Eu me sinto eu hoje, amanhã você, outro dia até aqueles que estavam sentados nas calçadas e que não disseram nada, só trocaram olhares. Eu me sinto nós, o mundo. Eu sinto demais. Eu absorvo demais. A minha intensidade vai além do limite do meu corpo, está sempre acerca de todos. E talvez, por tanta flexibilidade, eu me fecho e observo aqui dentro também. Eu guardo. Eu guardo por algum tempo. Quero sempre entrar, mas quase nunca sair. Sair é perigoso, é vulnerável. E eu preciso ser forte para saber sentir.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Open

E se eu disser que ainda há esperança? Que o deserto, a multidão, o rio e todas aquelas metáforas não são verdades absolutas? E se eu disser que aqueles olhos penetraram minha mente e confundiram minha cabeça? Posso eu contar à você essa sensação de andar em nuvens ao mesmo tempo que observo a realidade? É como se tudo ficasse mais suave com aquele toque.

É como se o toque fosse a chave.
E o olho fosse a chave.
E o beijo fosse a chave.
E a voz fosse a chave.
E a coroa também fosse a chave.

E se o meu cadeado for o encaixe?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Não quero

Não quero ser nada além disso. Não quero sua aprovação. Muito menos sua reprovação. Não quero fazer jogos. Nem desfilar pra chamar sua atenção. Não quero esperar. Não quero ter que esperar. Cansei da sua forma de tentar me mudar. Quem cansou do seu jeito fui eu. E se não gostamos um do outro, que vá embora você. Não quero te olhar. Nem respirar sua essência. Já basta essa melodia, essa mesma indecência. Não quero suspirar em cada palavra sua. Não quero achar que amo quando nunca fui tua. Cansei de me iludir com suas promessas. Cansei de tentar te desvendar. Não quero saber. Não quero ouvir. Não quero falar.

Mas uma coisa eu quero: você

Longe

Daqui (Da minha cabeça).

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

E se eu fosse um mistério?

O oculto te fascinaria? O que eu poderia esconder diante das minhas cores? É difícil apagar as luzes quando elas possuem vida própria. É extremamente complicado tapar tanta superfície se minhas próprias mãos não são suficientes. Eu juro que eu queria me esconder e ser um peça a procura. Eu tentei muitas vezes me camuflar e só observar as mudanças a minha volta. Mas eu sempre volto ao início, sempre reluzente. Como faço pra encontrar uma lua e equilibrar tanto amarelo? Como faço pra ser a lua e não ter luz própria?