quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Me ajuda?

Seria justo se eu lhe pedisse um favor? Eu tenho pensado sobre meus comportamentos. Tentei pesar eles numa balança, mas parece que eles nunca se alinham. Se eu te pedisse uma orientação, você me ajudaria a chegar ao meu objetivo? Se eu te pedisse apenas uma direção, você me diria qual é o caminho correto? Não sei não, acho que estou pedindo demais a você.

Pensei aqui, talvez suas decisões me tornem um pouco vulnerável. Talvez eu não precise de você, talvez a bússola esteja dentro de mim, em algum lugar nessa desordem. Faz bastante tempo que a perdi, lembro que na época existiam muitas pessoas como você, mas elas me confundiram demais, eram muitas opiniões diferentes. E sabe de uma coisa? Eu as ouvi. E eu nem sei por quê. Cada escolha que fiz com a voz de outro alguém me levou a caminhos diferentes do original, e agora, depois de tanto tempo, eu não sei mais como voltar à trajetória inicial ou final, sei lá, a tal da linha reta emocional.

Você me ajudaria muito não dizendo nada. Talvez seja melhor você só ficar aí olhando, porque eu resolvi organizar essa bagunça. Eu vou me sacudir, e você não me deixa cair não, tá bom? Em alguma hora meus movimentos vão fazer sentido e eu saberei pra onde ir. Só me dá um apoio aqui, segura minha mão, enquanto eu encontro meu equilíbrio.

Perdida

Fui arrastada pela multidão. Havia muitas pessoas. Cada pessoa com seus próprios sonhos e problemas.
- Nossa, quantos problemas pra tão poucos sonhos.
Eu não pude escolher o sentido em que andava. A multidão me levava sem me dizer nada. Ouvi vozes. Ouvi passos. Mas eu não consegui me ouvir. Minha mente estava embaralhada. Eu olhei pra todas aquelas pessoas e não consegui identificar ninguém. Eu estava sozinha.
Consegui ver que logo ao lado havia um rio que ia no mesmo curso dessa multidão. Eu pensei em me jogar no rio, mas não consegui sair do meu percurso. Eu pensei em parar e deixar que todos andassem na frente, mas eu notei que, assim, ficaria pra trás. E eu não posso deixar que todo esse caminho vire um nada. Afinal, eu também tenho sonhos. Mas, também tenho problemas.
Eu continuei andando por tanto tempo até que não senti mais meus passos. Até que não ouvi mais ninguém. Até que todo mundo sumiu. E então não tinha mais curso. Não tinha mais direção. Não tinha mais rio. Nem a multidão. Me senti vazio. Não ouvi mais nada. Pra onde vou agora se nem há estrada?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Deserto

Sinto-me no deserto, toda aquela areia que passa é depositada em meu corpo e pesa. Cada grão de areia me afunda ainda mais. Não há direção, não há caminho, só areia. Pra onde vou? Não sei se estou apta à carregar tanto peso. Não sei esperar também, porque se espero, continuo afundando. Preciso entender por onde o vento passa e pra onde ele vai, porque se eu decifrar suas façanhas, poderei, então, ir ao seu favor. Acontece que a cada ventania, eu deixo de observar a direção para focar em cada grão que cai. Como separar o vento da areia, se ambos trabalham juntos? Como sair desse deserto? Me afundei demais.

domingo, 23 de agosto de 2015

Frio

Passei meses sem dizer nada, aliás, eu nunca havia ficado tanto tempo sem sentir calor. Os dias têm sido tão responsáveis, lineares, cinzas e os finais de semanas com tantas histórias. Mas ainda sinto frio, eu sinto muito frio.

Estou tão imóvel que meus dedos estão congelando ao tentar escrever esse texto,

E eles me mandaram parar

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Por que razão?

Andei esses dias procurando razões. Vasculhei passados, ouvi histórias, observei pessoas e li alguns relatos. Aprofundei-me em cada palavra tentando ser o eu lírico de cada situação. Achei que todas as histórias se pareciam um pouco, mudavam os nomes, os locais e talvez alguns detalhes, mas elas se assemelhavam e se repetiam na minha cabeça. Comecei a procurar razão para todas as situações que a maioria dessas pessoas passaram, concluindo que se pareciam, e muito. Não seria mais sábio para o ser humano aprender com as experiências dos outros ao invés de experimentar quase o mesmo momento sabendo que certas coisas podem simplesmente te desestabilizar? Será que é pessimismo da minha parte aconselhar algum terceiro de que não é vantajoso fazer isso ou aquilo por certa vez ouvir alguém dizer qua tal situação não dera em final feliz? Será que seria tamanho exagero afirmar que as pessoas passam por situações comuns em busca de algo que as façam se sentir vivas? Eu não queria falar de amor, mas tenho notado que as pessoas com quem converso vivem perdidas sobre o que fazer, o que falar, como falar, como fazer, falar ou não falar. E o mais engraçado dessas conversas é que são realizadas em prol do "se". Essas pessoas se sentem em um labirinto sem saída recorrendo a outras pessoas que também possuem seus próprios labirintos e também não sabem se responder. Mas por quê razão, então, você que está tão perdido quanto seu aconselhado tem tamanha carga para dizer à ele a melhor direção? Vejo várias pessoas na mesma situação de medo e em ambos os lados. Acho que, na verdade, o labirinto virou um ciclo vicioso, pois se ambos em uma situação têm medo, ambos se bloqueiam, ambos se tornam mais misteriosos, mais complicados, mais dificeis de saber se sim ou se não, o que, como, onde e por quê. Se esse ciclo permanecer, vamos todos procurar uma bolha para se esconder, porque cada gesto será perigoso demais, o risco de um avanço poderá ser doloroso demais. Como investir em algo de tamanha imprevisibilidade? Como desvendar algo que brinca do mesmo jogo, que esconde os mesmos caminhos, que faz do simples o mais complicado pelo mesmo motivo que você não consegue entender? Não há razão para nada disso. Não há razão para complicar. Ou seja a razão a própria razão de tudo isso? Eu só gostaria de simplificar. Por que razão?

segunda-feira, 16 de março de 2015

Por que não?

        Se eu pudesse, me apaixonaria pelo menos uma vez por mês. Imagine só: um encanto por mês, 12 paraísos por ano. Apaixonar é encanto, música sem instrumentos, canto sem voz, brisa sem vento, é metafórico, imaginário, mas tão bonito. A paixão lhe tira da realidade, do sufoco, daqueles probleminhas pessoais que te tiram do sério algumas vezes por dia. Um beijo ou abraço apaixonado cria uma dorzinha gostosa no peito, uma sensação de preenchimento e felicidade que nem ganhando um milhão de reais você chegaria em tamanho esplendor. Se eu me apaixonasse uma vez ao mês, eu faria de cada pessoa a mais feliz do mundo durante 30 dias e no 30º eu diria "Adeus" sorrindo e agradecendo por cada fagulha gostosa no peito. Não haveria dor nem sofrimento, pois no dia seguinte surgiria outra paixão, outro nome, outra história, outro beijo e novas pontadas. Meu coração seria renovado todo mês, sem mágoa, sem choro, mas só alegria. Ele seria tão inflado, que no ano novo, eu nem precisaria usar calcinha de cor alguma, talvez, uma amarela para ganhar algum dinheiro para viagens românticas, quem sabe? O trabalho teria mais vida, os problemas teriam saídas, eu passaria pela rua dando bom dia do 1º ao 30º dia...

         Mas, eu não posso acumular paixões, eu não posso sorrir para sempre, não há pessoa que não lhe machuque pelo menos uma vez na vida, seja de forma simples ou de forma arrebatadora. A paixão é tudo aquilo que eu disse que sentiria uma vez por mês, mas ela é um investimento de alto risco, você sorri, você chora, você se encanta e se decepciona. O desafio está em saber se apaixonar 12 vezes por ano pela mesma pessoa, 30 vezes por mês também, ou quem sabe até 24h por dia. Fácil se apaixonar, difícil repetir com a mesma história, mesmo beijo, mesmo abraço. Mesmo que o ano não tenha 12 paraísos, eu tentaria 12 vezes até conseguir vencer tal desafio, quanto maior o risco, maior o ganho e se apaixonar é maravilhoso, quando recíproco.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Eles têm pressa

A tecnologia que veio com objetivo de otimizar nossa comunicação, acabou destruindo o tempo, a saudade e tudo que fazia nosso coração vibrar. Antigamente, os amores imploravam por uma carta ou ligação, que ao chegar lhe arrancavam um sorriso e ardia o coração. Hoje, falamos com nossos amores a cada 2 ou 3 minutos, no começo, cada vibração do celular, se torna um pulo a mais no coração, que agora está agitado de tanta empolgação com algo novo. Mas, com o tempo, por acelerarmos as chamas das cartas e ligações, que antes levavam até dias, a fogueira se ascende rápido, mas também se apaga, na mesma velocidade. Temos tanta pressa que não conseguimos pensar e nem ao menos sentir saudades. Falamos sobre tudo muito antes de conviver, convivemos tudo muito antes de unir em matrimônio. E quando fazemos tudo aquilo que pensamos em tão pouco tempo, chega uma hora que esgotam as possibilidades, as viagens, as aventuras, as posições e os assuntos. Fica tudo tão vazio e sem graça, e, acaba. Acaba como se nada daquilo tivesse objetivo, um mês se torna um conjunto de lembranças inesquecíveis, um mês que poderia ser vivido em um ano, um mês correndo, um mês com pressa. De tanta pressa, com tantos sentimentos vividos tão intensamente, ninguém respira e logo começa a pirar. Cada fagulha se torna uma tempestade, porque o tempo está correndo e amanhã pode não existir mais nada. Essa geração não vive, ela atropela, ela quer tudo e pra já, ansiosa e intensa. Será que não percebem que o tempo precisa de brisa, de calma e que certas coisas precisam acontecer depois de longos momentos e com mais conhecimento de quem está ao seu lado!? Parem com isso, e já! Respirem! Sintam a leveza da espera, a chama da saudade e a vontade de experimentar coisas quando ainda se tem muito tempo, sem acelerar.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Liberté

Você já se sentiu voando sem tirar os pés do chão?
Já teve a sensação de que o mundo estava leve e que parecia não existir mais gravidade?
Já esteve na Lua ao fechar os olhos?
Sabe do que eu estou falando?

Desprender, soltar, liberar, voar... Quanto mais alto vou, melhor enxergo os degraus superiores, as metas, objetivos e um caminho ambicioso cheio de espelhos refletindo somente a mim. Quando fecho os olhos, desafio Newton, não existe física e tão pouco forças competindo comigo. Ao abri-los, me sinto com poderes, porque quanto mais vejo meu reflexo, mais eu quero prosseguir assim: leve e em liberdade.

"Ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode."

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Linhas

Ontem tracei uma linha ao meu redor.
Ela fazia uma figura parecida com um círculo, fechado.
Para fora da linha empurrei: objetos estocados, corpos atrasados e ações passadas.
Rabisquei mais, para que a linha fosse chamativa, rígida e, espero que, inflexível.
Hoje eu acordei diferente,
Quase flutuei pela cama.
Acho que entre ontem e hoje perdi alguns quilos de metáfora
Linhas são necessárias
Limites são filtros benéficos
Linhas são pontos em um texto.
Após pontos, outras frases.

Acho que alinhei minha vida.