quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Perdida

Fui arrastada pela multidão. Havia muitas pessoas. Cada pessoa com seus próprios sonhos e problemas.
- Nossa, quantos problemas pra tão poucos sonhos.
Eu não pude escolher o sentido em que andava. A multidão me levava sem me dizer nada. Ouvi vozes. Ouvi passos. Mas eu não consegui me ouvir. Minha mente estava embaralhada. Eu olhei pra todas aquelas pessoas e não consegui identificar ninguém. Eu estava sozinha.
Consegui ver que logo ao lado havia um rio que ia no mesmo curso dessa multidão. Eu pensei em me jogar no rio, mas não consegui sair do meu percurso. Eu pensei em parar e deixar que todos andassem na frente, mas eu notei que, assim, ficaria pra trás. E eu não posso deixar que todo esse caminho vire um nada. Afinal, eu também tenho sonhos. Mas, também tenho problemas.
Eu continuei andando por tanto tempo até que não senti mais meus passos. Até que não ouvi mais ninguém. Até que todo mundo sumiu. E então não tinha mais curso. Não tinha mais direção. Não tinha mais rio. Nem a multidão. Me senti vazio. Não ouvi mais nada. Pra onde vou agora se nem há estrada?

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