terça-feira, 5 de outubro de 2021

Sentir exatamente com é

Sentir demais

Quando alegria, expando

Quando decepção, sinto uma ponta

Uma ponta de dor que me pergunta “por que?”

Uma ponta que me aponto e desconfio de mim mesma

Seria eu culpada de ações que não são minhas?

Quando machuco, porque também machuco

Eu também sinto a ponta

Eu não gosto de machucar

Quando é o oposto, eu me pergunto se machuquei para tal

Afinal, tudo volta, né?

Eu acredito tanto na volta que espero voltar

Pra você também

Porque eu não quero te ensinar como fazer

Não quero te ensinar como amar

Não quero te ensinar a ser como eu

Porque não há como ser como eu

E por isso não deveria esperar isso de você

Não deveria esperar isso de ninguém

Mas, eu espero

Mesmo não sendo o certo, eu sempre espero

Porque a gente enxerga e faz como é

E mesmo que devesse, espera

Espera uma troca, um espelho, um sorriso

E se recebemos tudo diferente

Vem a ponta de novo

Eu já falei que ela dói?

Mas, tá tudo bem

A ponta que aponta e desaponta tem seu ponto

E quando se vai é a hora de expandir

Porque também sou sorriso e não esperar nada

Também sou alegria e compartilhar por querer

Sem esperar

Sem receber

Sentir

Ser

sábado, 6 de julho de 2019

Cinza

Quando parecer estranho, escreva
Não há nada de errado em acordar no cinza
O cinza entristece, mas nos faz refletir
O cinza não é cor, mas nos prepara para ela
Tá tudo bem não estar bem
Tá tudo bem porque vai passar
Você vai levantar sim
Vai comer, banhar, falar, trabalhar
Tá tudo bem se você não fizer isso tão bem
Você vai rezar, dormir e sonhar
Desejando que o próximo dia seja amarelo
Desejando esquecer a falta de cor
Mas tá tudo bem se não resolver tão rápido
Tá tudo bem entender o processo
Pense bem nesses dias estranhos
O incomum pode te fazer crescer
Porque se fosse pra ser tudo colorido
O arco íris seria cinza também
E você não entenderia as diferenças
Entre sorrir e entristecer
Todo cinza é preciso
Para que o colorido seja reconhecido

terça-feira, 25 de junho de 2019

Voltei

Ah, como demorei tanto pra voltar? Ah, como é bom sorrir por nada. Acreditar nas palavras e deixar tudo ser. Eu to escrevendo sorrindo e acreditando nisso. Onde estava essa versão de mim? Por que demorou tanto pra trazer? Que prazer. Que ser. Que sentir. Mal conheço você e suas intenções, mas já me sinto grata por me transformar, me devolver. Que saudade que eu tava de mim e que saudade que eu estou de você. 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Pés cansados

Eu prometi que diria a você como me sinto. Acontece que sentir ocupa o tempo e meu tempo corre. É corrido. Vou escrever rápido porque preciso voltar ao que é superficial e me enganar com todos aqueles elogios. Parece ser o mais fácil, não é? Se eu ler comentários, mensagens e textos vou ter a certeza que sou tudo o que dizem? Mas se tanto valorizam porque ainda sinto falta? Falta do que não abraço, não digo, não faço. Falta do que espero chegar e de tanto esperar, eu nem vi passar. Passaram 7, 13, 25... deixaram passos e até uns mimos, mas passaram, não ficaram. Eu esperei demais chegar, eu esperei demais voltar, mas não esperei passar. Você entende? O que afinal preciso fazer para passar junto? Acompanhar... Permanecer... Sabe? Será tão distante a minha espera? E logo eu que se te prometo esta carta, também posso prometer o mundo. Porque olha... Eu realmente busco, é só você pedir. Porque quando eu espero, eu dou demais, de mais, em excesso. Então por quê ficar se tudo já lhe foi entregue enquanto eu esperava? Que graça tem chegar no topo sem esforço? Preciso parar de dar escadas, custam caro. Vou dar motivos pra subir e com seus próprios pés, ok? Eu não posso fazer tudo o tempo todo. Ser 1 é cansativo, ser 2 é loucura. Se uso tão bem meus pés, porque não deixo que use os seus? Vamos lá! Suba! Eu tô aqui do lado. Eu vou aprender a permanecer e não mais esperar lá em cima. A gente dá a mão e desvenda o caminho juntos porque não me cabe mais ser sempre o mapa, a lanterna, a cabana e todo o resto pra sobreviver. Eu só quero ser parte e descobrir o que você também pode fazer.

domingo, 12 de março de 2017

Free

Eu só quis ser diferente, sabe? Não seguir a regra. Não ouvir quando dizem que devemos fazer isso ou aquilo. Que se não fizermos, as pessoas vão julgar ou que não terei meu lugar no céu (wtf!?). Eu perguntei o por quê daquilo tudo e só ouvi que devia ser daquela forma. Afinal, quem inventou essa forma? Mas que padrão sem fundamento... Padrão? Olha só, eu tô fora. Eu não vejo motivo algum para ser igual vocês. Eu não consigo entender porque vocês querem andar tanto no trilho. E se o trem passar antes mesmo de você chegar no fim? O que você terá para contar? O que vai dizer? Que você obedeceu e fez tudo como mandaram? E o que você ganhou com isso? Não seria o mesmo fim que eu e você teremos? Eu nunca vou entrar nessa caixa e fechar os olhos dessa maneira. Eu preciso saber o que tem lá fora. O que posso conquistar. Se eu quiser pular, eu pulo. E daí? Sinceramente, você me dizer que devo ou não, não muda em nada. Eu preciso sentir meu coração pulsar. Eu preciso ver mais do que meus olhos podem enxergar. E se eu tiver que nadar para chegar cada vez mais perto do horizonte, eu vou. Qual é o limite? Se você descobrir me avisa, porque eu estou tentando alcançar (ou ultrapassar).

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

30 segundos

Você sentiu esse arrepio?
Meus lábios tocam os seus.
Olhos fechados.
Sorriso entre os beijos.
Nós saímos do lugar?
Perfume inigualável.
Frio na barriga.
Respiro.
Posso ter outro beijo?
Abro os olhos.
Vejo azul.
Azul intenso.
Pisco e deixo que meus olhos sumam.
Sorrio.
Sinto seu nariz tocando o meu de leve.
Olho pra baixo e vejo seu sorriso.
"Tão bom ter você aqui".
Posso voltar?
Mão na sua nuca.
E no seu cabelo.
Trago mas pra perto.
Beijo novamente.
"Hmmm".
Boca carnuda.
Mordo.
Sou mordida.
Sorrio.
Beijo de novo.
"Faz um tempo que você foi".
Pode ficar?
Mão nas costas.
Peito com peito.
Abraço sem jeito.
"Vou sentir sua falta".

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Orgulho

Eu não quero ser otário. Essa coisa de falar, perguntar se vai rolar é brabo. Sabe? Imagina só: se eu pergunto se ela vai e ela não vai. Fico como? Que ela venha até aqui. Me cansei de ir. Ir. E ir. Que papo de gente idiota. Imagina só se eu chamo ela praquele rolê e ela diz que vai ver TV. Você acha que acredito nessa, mano? A mina é maneira, bonita e leve. Mas se eu for até ela, eu vou ficar de greve, ela vai rir da minha cara e dizer que não tá na minha. Que é coisa da minha cabeça. Cresça! Então, eu não vou ser otário não, sabe coé? Um dia ela vai querer e eu vou saber. É. Eu vou. Um dia ela vai dar o sinal que posso ir um pouco mais. Mas agora, mano, eu não vou não. Me disseram que dar um gelo é o que conquista a paz. Não falar é o que resolve. Quem sabe encontro ela na esquina. Se provoco, ela foge? Não. Não vou ser igual aos outros. Tô de boas aqui na minha, imaginando eu e ela olhando pro mar. Eu sei que se ficar aqui, ela vai me encontrar.

Eu não entendo porque ele é assim. Vai, fica, vai, volta, não volta, não sabe o que quer. Já falei pra minhas amigas que tô cansada desses caras que ficam nessa dúvida ao invés de ver qual é. Eu já demonstrei que eu quero, que tô aí pro chamego, pro abraço, pro sossego e ele se diz mané. E talvez seja uma mané. Eu aqui toda disposta a aceitar uma proposta e ele sem saber o que quer. Me cansei de esperar, esse cara é um idiota, quando chega, logo dá volta e não se mantém em pé. Me diz logo o que c quer. Se vai ficar ou ir embora porque bobo tu não é. Se ele não vem porque não vou e eu não vou porque ele não vem, nunca vamos dar um rolé.