Não to aqui pra ser direta, isso não é diário, nem denúncia. Mas me sinto como jovens no tempo da ditadura, louca pra sair gritando por aí, mas de mim não sai palavra alguma. Sinto-me censurada, presa a mim mesma, e esse comboio de cordas que me atormenta ( Fernando Pessoa entenderia.. ) que cada vez mais me faz fingir, fingir sentimentos igualitários para nunca estar embaixo, fingir que finjo o tempo todo para não ter que fingir mais depois.
E esse passado que rodeia como cavalo branco em sonhos? E daí? Afinal, o presente está aí, sendo fim do passado e começo do futuro. Mas quanto tempo a gente ainda tem na terra para fazer tudo o que queremos? Quanto tempo a gente tem para dizer as pessoas importantes o quanto na verdade elas importam? Quanto tempo ainda temos para virar a cabeça, olhar pra frente e amarrar uma corda ao punho, desenrolando a que fica no meio do peito. Não temos absolutamente quase nada, e olha que quase já deveria ser o suficiente pra tudo. Estou igual a milhões de pessoas na terra, querendo paz. Mas todo mundo sabe que tem coisas que são impossíveis, e daí? Enquanto eu estiver no caos, engolindo poeira e vendo nevoeiros, minha lanterna permanecerá acesa. Sempre!